O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5) a suspensão, por 60 dias, dos mandatos dos deputados federais Marcos Pollon, Marcel van Hattem e Zé Trovão. A decisão ocorreu após uma longa sessão marcada por debates acalorados, discursos políticos e troca de acusações entre parlamentares da base governista e da oposição.
Os três deputados foram acusados de adotar condutas consideradas incompatíveis com o decoro parlamentar durante a ocupação da Mesa Diretora da Câmara, ocorrida em agosto de 2025. Na ocasião, parlamentares da oposição protestavam pela inclusão na pauta do projeto de anistia relacionado aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
O parecer aprovado foi elaborado pelo relator Moses Rodrigues, que defendeu uma punição mais rigorosa como forma de preservar a autoridade institucional da Câmara dos Deputados. Inicialmente, a Mesa Diretora havia sugerido suspensão de 30 dias, porém o relator ampliou a penalidade para dois meses.
Segundo o relatório, Marcos Pollon teria ocupado a cadeira da Presidência da Casa e impedido o retorno do presidente da Câmara, Hugo Motta. Marcel van Hattem foi acusado de ocupar espaço na Mesa Diretora, enquanto Zé Trovão teria bloqueado fisicamente o acesso do presidente ao local.
As representações contra os parlamentares foram analisadas separadamente. Pollon e Van Hattem tiveram 13 votos favoráveis à suspensão e quatro contrários. Já Zé Trovão recebeu 15 votos favoráveis e quatro contrários.
Durante a sessão, os deputados utilizaram a tribuna para contestar o processo disciplinar e alegar perseguição política. Zé Trovão afirmou que a suspensão afetará diretamente os servidores de seu gabinete e classificou a medida como injusta. Marcel van Hattem também criticou o julgamento e disse que a oposição vem sendo alvo de retaliações dentro do Parlamento.
Marcos Pollon, por sua vez, fez duras críticas à condução política da Câmara e voltou a defender a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O parlamentar afirmou que continuará defendendo suas posições “sem se intimidar”.
O debate também mobilizou parlamentares de diferentes correntes ideológicas. O deputado Chico Alencar declarou que a ocupação da Mesa representou afronta às instituições democráticas. Em contraponto, Sargento Gonçalves argumentou que apenas parte dos envolvidos foi responsabilizada, apesar da participação de diversos parlamentares no protesto.
Os deputados suspensos ainda poderão recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A decisão definitiva caberá ao Plenário da Câmara dos Deputados, que deverá analisar o caso nas próximas semanas.