O ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) enfrenta um momento de incertezas na vida política após perder o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), em decorrência de uma decisão da Justiça Eleitoral que alterou a composição das cadeiras do Parlamento estadual. A saída também gerou repercussão entre os servidores comissionados que integravam seu gabinete.
Com a diplomação do deputado João César Mattogrosso (PSDB) para assumir a vaga, os assessores vinculados ao ex-parlamentar precisaram deixar o gabinete para a instalação da nova equipe. Segundo relatos obtidos por diferentes fontes, muitos servidores afirmaram não ter recebido orientações diretas de Neno Razuk sobre o encerramento das atividades ou sobre os procedimentos relacionados ao desligamento.
A responsabilidade pelos trâmites administrativos e pelos pagamentos dos direitos trabalhistas dos comissionados ficou a cargo da Assembleia Legislativa, enquanto a comunicação sobre a desocupação do gabinete teria sido realizada pela própria Casa de Leis.
A perda do mandato ocorreu após a anulação dos votos da suplente Raquelle Trutis (PL), condenada por irregularidades relacionadas aos gastos de campanha nas eleições de 2022. A decisão provocou a recontagem dos votos e alterou o coeficiente eleitoral, resultando na saída de Neno Razuk e na posse de João César Mattogrosso.
Bastidores políticos
Nos bastidores da política estadual, a ausência de manifestações públicas do ex-deputado desde a perda do mandato tem alimentado especulações sobre seu futuro eleitoral. Integrantes do meio político avaliam que o silêncio e o distanciamento em relação à antiga equipe levantam dúvidas sobre a continuidade de sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.
Questionado sobre o tema, o presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja, informou que não foi procurado por Neno Razuk para tratar do assunto e afirmou desconhecer qualquer mudança em seus planos políticos. Assim, oficialmente, a pré-candidatura permanece mantida.
Condenação criminal
Além das questões políticas, Neno Razuk também responde a um processo criminal decorrente da Operação Successione. Em dezembro de 2025, ele foi condenado em primeira instância pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande a 15 anos e 7 meses de prisão, sob acusação de participação em organização criminosa, entre outros crimes investigados.
A defesa apresentou recursos, mas os embargos de declaração foram rejeitados. O processo segue em tramitação nas instâncias superiores, e o ex-deputado permanece em liberdade enquanto recorre da decisão. Conforme determina a legislação brasileira, a condenação ainda não transitou em julgado, razão pela qual permanece assegurado o princípio constitucional da presunção de inocência.
Sem posicionamento
A reportagem tentou contato com Neno Razuk para comentar a situação dos ex-servidores, esclarecer se mantém sua pré-candidatura e apresentar sua versão sobre os fatos relacionados à saída da Assembleia Legislativa. Até o encerramento desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para eventual manifestação do ex-parlamentar.
Entenda o caso
A mudança na composição da Assembleia Legislativa ocorreu após decisão definitiva da Justiça Eleitoral que confirmou a anulação dos 10.782 votos obtidos por Raquelle Trutis nas eleições de 2022, em razão de irregularidades nos gastos de campanha. A recontagem dos votos alterou o coeficiente eleitoral e resultou na substituição de Neno Razuk por João César Mattogrosso na Alems.