A chamada “taxa das blusinhas” voltou ao centro do debate nacional após a arrecadação federal bater novo recorde em 2026. Dados da Receita Federal mostram que o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão entre janeiro e abril deste ano com o imposto aplicado sobre compras internacionais de baixo valor, um crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado.
Apesar do aumento na arrecadação, a cobrança continua sendo alvo de críticas de consumidores brasileiros, principalmente daqueles que utilizam plataformas internacionais para buscar produtos mais baratos, como roupas, acessórios, eletrônicos e itens de uso diário.
A tributação entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, estabelecendo cobrança de 20% sobre encomendas internacionais de até US$ 50 realizadas em empresas participantes do programa Remessa Conforme. Além do imposto federal, alguns estados também elevaram a alíquota do ICMS, aumentando ainda mais o valor final das compras.
Para muitos consumidores, o impacto foi imediato no bolso. Produtos que antes chegavam ao país com preços considerados acessíveis passaram a custar significativamente mais após a incidência dos tributos e taxas estaduais.
Especialistas apontam que a medida teve como objetivo reduzir a diferença tributária entre plataformas internacionais e empresas brasileiras. O setor produtivo nacional defende a manutenção da cobrança alegando proteção da indústria, preservação de empregos e fortalecimento do comércio interno.
Por outro lado, consumidores argumentam que a taxação reduziu o acesso a produtos de baixo custo justamente em um momento de pressão econômica sobre as famílias brasileiras. Nas redes sociais, críticas à medida continuam frequentes, principalmente pela percepção de que o imposto atingiu diretamente quem buscava economizar em compras online.
O debate ganhou ainda mais força após integrantes do próprio governo admitirem que a possibilidade de revisão da taxa está sendo discutida internamente. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, confirmou recentemente que há ministros defendendo uma reavaliação da cobrança.
Mesmo com a discussão em andamento, o governo reconhece que a arrecadação gerada pela taxação se tornou importante para ajudar no equilíbrio das contas públicas. Em 2025, o imposto já havia rendido aproximadamente R$ 5 bilhões aos cofres federais.
Enquanto indústria e varejo defendem a permanência da medida, parte da população cobra alternativas que não aumentem o custo das compras populares realizadas pela internet.
Sem definição oficial sobre mudanças imediatas, o futuro da chamada “taxa das blusinhas” segue em debate em Brasília, dividindo opiniões entre governo, setor produtivo e consumidores.