Uma médica-veterinária teve o exercício profissional suspenso após ser alvo de investigação por comercializar xampus originalmente destinados a animais para utilização em pessoas, em Campo Grande. A ação foi realizada por agentes da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo (Decon), na manhã de segunda-feira (4).
Durante audiência de custódia realizada no dia seguinte, no Fórum Heitor Medeiros, a Justiça estabeleceu fiança de R$ 4,8 mil. Com o pagamento, a investigada passou a responder ao processo em liberdade provisória, sob condições como comparecimento periódico à Justiça, proibição de se ausentar da comarca por períodos prolongados e suspensão das atividades como médica-veterinária. Também foi autorizada a permanência em regime domiciliar, em razão de ela ser responsável por uma criança.
Versão da defesa
A defesa sustenta que a profissional não realizava qualquer tipo de manipulação dos produtos. Segundo o advogado, a atuação da veterinária se limitava à divulgação dos itens nas redes sociais, onde também possui atuação como influenciadora digital. Ainda conforme a defesa, não há comprovação técnica de que o produto ofereça risco direto à saúde humana, embora reconheça que a discussão envolve normas de proteção ao consumidor.
O advogado também questiona a versão apresentada no registro policial, afirmando que não houve preparo de substâncias no momento da abordagem.
Apreensões e investigação
A investigação teve início após denúncia encaminhada ao Conselho Regional de Medicina Veterinária. No local, os policiais encontraram funcionários e, conforme relato oficial, um deles realizava procedimento com substâncias de uso veterinário associadas ao produto.
Além disso, foram identificados indícios de comercialização em escala significativa, como etiquetas de envio já prontas e notas fiscais referentes à compra de grande quantidade de xampus e insumos veterinários.
A profissional chegou ao estabelecimento após o início da ação policial, não prestou esclarecimentos no momento e foi conduzida à delegacia junto com os demais envolvidos.
O caso segue em apuração e é tratado como possível infração às normas que regem as relações de consumo.