O governo federal deu início, nesta segunda-feira (4), ao programa Desenrola 2.0, nova etapa da política pública voltada à renegociação de dívidas no Brasil. Apesar da medida já estar em vigor após a publicação da Medida Provisória, os bancos informaram que a oferta efetiva de renegociação ainda depende de ajustes técnicos e operacionais.
A iniciativa tem como objetivo principal reduzir o endividamento das famílias brasileiras e estimular a retomada do acesso ao crédito, oferecendo condições facilitadas para quem está inadimplente.
Instituições confirmam adesão, mas aguardam ajustes
Principais instituições financeiras do país confirmaram participação no programa, mas destacaram que ainda estão em fase de adaptação de sistemas internos para viabilizar as negociações dentro das regras estabelecidas pelo governo.
Entre os bancos que já sinalizaram adesão estão Itaú Unibanco, Santander, Bradesco, BTG Pactual, Banco Pan, C6 Bank e Banco do Brasil. Segundo as instituições, a liberação das propostas aos clientes deve ocorrer assim que houver a conclusão dos ajustes necessários e a regulamentação completa dos procedimentos.
Enquanto isso, algumas instituições já permitem que os clientes manifestem interesse ou realizem pré-cadastro, antecipando a demanda.
Quem pode participar
O programa é direcionado a pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. Também estão incluídos estudantes com dívidas educacionais em atraso, além de micro e pequenas empresas e produtores rurais, por meio de linhas específicas do programa.
Quais dívidas podem ser renegociadas
Podem ser incluídas na renegociação dívidas:
* Contraídas até 31 de janeiro de 2026;
* Com atraso entre 90 dias e dois anos;
* Relacionadas a modalidades como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
Condições oferecidas
O Desenrola 2.0 prevê condições mais acessíveis para pagamento das dívidas, com destaque para:
* Descontos que podem chegar a até 90% do valor total;
* Parcelamento em até 48 meses;
* Taxas de juros limitadas a 1,99% ao mês;
* Prazo inicial de até 35 dias para início dos pagamentos;
* Limite de renegociação de até R$ 15 mil por CPF em cada instituição financeira.
Além disso, trabalhadores poderão utilizar parte do saldo do FGTS — até 20% ou R$ 1.000, o que for maior — para auxiliar na quitação das dívidas renegociadas.
Medidas adicionais
O programa também estabelece a retirada automática de registros negativos para dívidas de até R$ 100. Nos demais casos, o nome do consumidor será regularizado após a formalização do acordo.
Outra medida prevista é o bloqueio temporário do CPF do beneficiário em plataformas de apostas por um período de até 12 meses, como estratégia de prevenção ao novo endividamento.
Impacto esperado
De acordo com o governo federal, a expectativa é que a nova fase do programa possibilite a renegociação de até R$ 58 bilhões em dívidas em todo o país, alcançando milhões de brasileiros.
Enquanto a operacionalização não é concluída pelas instituições financeiras, a recomendação é que os interessados acompanhem os canais oficiais dos bancos para verificar a liberação das ofertas e as condições específicas.