As notificações de casos suspeitos de Chikungunya seguem em forte queda em Dourados, indicando uma desaceleração da epidemia que atingiu o município nos últimos meses. Apesar do cenário mais favorável, a Secretaria Municipal de Saúde reforça que a cidade ainda permanece em situação epidêmica e pede que a população mantenha os cuidados para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti.
De acordo com o Boletim Epidemiológico de Arboviroses da 27ª Semana Epidemiológica, divulgado nesta terça-feira (14) pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), entre os dias 5 e 11 de julho foram registradas apenas 86 notificações de casos suspeitos, sem confirmação de novos casos no período. O resultado representa uma queda expressiva em comparação ao pico da epidemia, quando a 12ª Semana Epidemiológica contabilizou 1.209 notificações e 672 confirmações da doença.
Mesmo com a redução dos registros, o secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo, alerta que o momento exige vigilância permanente.
Segundo ele, o mosquito transmissor continua presente e pode provocar uma nova elevação nos casos caso a população relaxe nas medidas preventivas. A orientação é eliminar recipientes com água parada, manter quintais limpos e dar atenção especial às áreas internas das residências, onde muitos focos acabam sendo encontrados.
Mais de 10 mil notificações desde o início da epidemia
Desde o início do surto, Dourados contabilizou 10.101 notificações de Chikungunya. Desse total, foram registrados 5.425 casos prováveis e 4.908 confirmações da doença. Outros 4.676 casos foram descartados e 517 permanecem em investigação.
O município também registrou 17 mortes relacionadas às complicações da doença. Do total de óbitos, 12 ocorreram entre moradores indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru, evidenciando o impacto da epidemia nessas comunidades.
A taxa de positividade dos exames está em 51,21%, enquanto a taxa de ataque foi calculada em 2,05%.
Trabalho integrado contribuiu para redução
A Secretaria Municipal de Saúde atribui a queda dos casos ao trabalho conjunto desenvolvido entre a Prefeitura de Dourados, o Ministério da Saúde, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI-MS) e a Secretaria de Estado de Saúde.
Além da atuação das equipes de assistência, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) intensificou as ações de campo, mobilizando quase uma centena de agentes de combate às endemias. As equipes realizaram vistorias em milhares de imóveis, eliminaram criadouros do Aedes aegypti e executaram tratamentos químicos em áreas consideradas de maior risco.
A orientação continua sendo que cada morador reserve cerca de 10 minutos por semana para verificar a casa e o quintal, eliminando qualquer recipiente que possa acumular água.
Dengue permanece sob controle
O boletim também mostra que os casos de dengue seguem controlados em Dourados. Desde o início do ano foram registradas 1.372 notificações, sendo 463 casos prováveis e 132 confirmações da doença.
Outros 909 casos foram descartados e 331 seguem em investigação. Até o momento, o município não registrou mortes por dengue em 2026, embora quatro gestantes tenham apresentado diagnóstico confirmado da doença.
Os dados apontam ainda que a maior incidência ocorreu entre pessoas de 20 a 29 anos, enquanto as crianças de até 9 anos apresentaram o menor número de confirmações.
Mesmo diante da estabilidade da dengue e da redução da Chikungunya, as autoridades reforçam que o combate ao mosquito Aedes aegypti continua sendo a principal estratégia para evitar novos surtos e proteger a população.