Em meio à rotina do sistema prisional, iniciativas voltadas à educação e à qualificação profissional têm proporcionado novas oportunidades para mulheres privadas de liberdade em Mato Grosso do Sul. Mais do que ensinar uma profissão, os cursos oferecidos dentro das unidades penais buscam fortalecer a autoestima, ampliar perspectivas e preparar as participantes para uma reinserção social mais digna.
A estratégia faz parte das ações desenvolvidas pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), que tem ampliado investimentos em programas de capacitação como forma de reduzir a reincidência criminal e incentivar a reconstrução de trajetórias de vida.
Uma das principais iniciativas em andamento é o Programa Mulheres Mil, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado de Educação, que oferece formação profissional para mulheres em situação de vulnerabilidade. Dentro das unidades prisionais, o projeto ganhou importância ao atender um público historicamente marcado pela exclusão social e pela dificuldade de acesso ao mercado de trabalho.
Entre as capacitações oferecidas está o curso de copeira, com 160 horas de duração, reunindo disciplinas que vão desde conhecimentos básicos de português, matemática e informática até conteúdos específicos sobre manipulação de alimentos, atendimento ao cliente, empreendedorismo e direitos trabalhistas.
As aulas acontecem em unidades prisionais de Campo Grande e também no interior do estado, proporcionando formação técnica e prática para que as participantes possam disputar vagas de emprego ou até mesmo empreender após o cumprimento da pena. Em Rio Brilhante, por exemplo, internas participam de capacitação voltada à área de vendas.
Para a direção da Agepen, a qualificação profissional representa uma política pública capaz de transformar vidas. A proposta é fazer com que o sistema prisional deixe de ser apenas um espaço de custódia e passe a oferecer condições concretas para que homens e mulheres retornem à sociedade preparados para construir um novo futuro.
Além do aprendizado técnico, o processo educativo também contribui para mudanças comportamentais. Professoras e coordenadores relatam avanços na convivência, no respeito mútuo, na disciplina e no desenvolvimento da autoconfiança das alunas, aspectos considerados fundamentais para a reintegração social.
As próprias participantes reconhecem o impacto da iniciativa. Muitas enxergam nos cursos uma oportunidade para recomeçar, conquistar independência financeira e reconstruir os vínculos familiares. Algumas pretendem abrir pequenos negócios, enquanto outras desejam buscar o primeiro emprego formal ao deixarem o sistema prisional.
Segundo a Agepen, o cronograma de capacitações continuará sendo ampliado. Para 2026, já estão previstas mais de duas mil vagas em cursos presenciais destinados a pessoas privadas de liberdade, contemplando áreas como construção civil, informática, marcenaria, corte e costura, administração, serviços e beleza, além de novas formações oferecidas por meio de parcerias institucionais.
Ao investir em educação e profissionalização, Mato Grosso do Sul aposta na transformação social como ferramenta para reduzir a reincidência criminal e criar oportunidades reais para que novas histórias sejam escritas além dos muros das unidades prisionais.