A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra voltou ao centro de uma investigação de grande repercussão nacional após ser presa preventivamente durante uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. As autoridades apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e possível ligação financeira com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A prisão ocorreu em um condomínio de alto padrão localizado em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, logo após a influenciadora retornar de uma viagem internacional. Segundo informações da investigação, Deolane passou semanas em Roma, na Itália, onde compartilhava registros da rotina nas redes sociais enquanto, paralelamente, era monitorada por órgãos de inteligência brasileiros com apoio da Interpol.
De acordo com os investigadores, havia inclusive estudos para cumprimento de mandado fora do país, hipótese que não foi necessária após o retorno da influenciadora ao Brasil.
Movimentações financeiras chamam atenção da investigação
Relatórios anexados ao inquérito apontam uma intensa movimentação financeira nas contas pessoais e empresariais ligadas à influenciadora entre os anos de 2018 e 2022. A polícia suspeita que parte dos valores movimentados possa ter sido utilizada para ocultação e circulação de recursos ilícitos.
As investigações também identificaram empresas registradas em cidades do interior paulista consideradas incompatíveis com as atividades declaradas oficialmente. Para os órgãos responsáveis pela operação, o padrão de movimentação financeira levantou indícios de possível utilização de estruturas empresariais para mascarar a origem do dinheiro.
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que organizações criminosas frequentemente utilizam pessoas com grande visibilidade pública para dar aparência de legalidade a recursos obtidos ilegalmente.
Investigação teve origem em apurações antigas
O caso é resultado de uma investigação iniciada anos atrás, após apreensões realizadas no sistema penitenciário paulista. A partir de documentos e mensagens encontrados durante operações anteriores, a polícia passou a monitorar empresas e pessoas suspeitas de integrar um esquema de movimentação financeira ligado ao crime organizado.
Entre os nomes citados nas investigações aparecem integrantes da família de Marco Willians Herbas Camacho, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do PCC.
Os investigadores afirmam que o esquema utilizava empresas, contas bancárias e intermediários para dificultar o rastreamento dos recursos.
Defesa contesta acusações
Os advogados de Deolane Bezerra negam qualquer envolvimento da influenciadora com organizações criminosas e afirmam que todo o patrimônio dela possui origem lícita e devidamente declarada.
Durante depoimento, a influenciadora afirmou que os valores recebidos ao longo dos últimos anos são provenientes de contratos publicitários, atuação profissional e atividades empresariais legalizadas.
A defesa também criticou a operação e declarou que pretende demonstrar, no decorrer do processo, a inexistência de provas concretas que sustentem as acusações apresentadas pelas autoridades.
O caso segue sob investigação e deve ter novos desdobramentos nos próximos dias.