morte de uma menina de 9 anos em Campo Grande acendeu um alerta entre pais, educadores e autoridades sobre os riscos dos chamados desafios virais que circulam na internet. A suspeita é de que a criança tenha participado do chamado desafio do desodorante, prática perigosa que incentiva a inalação de aerossóis e já foi alvo de alertas de especialistas em saúde e segurança digital.
Segundo informações registradas em ocorrência policial, os pais da menina haviam saído de casa para levar o filho recém-nascido a uma consulta médica e deixaram a criança sob os cuidados de uma tia. Ao retornarem para a residência, por volta das 14h20, perguntaram pela filha e receberam a informação de que ela estaria dormindo no quarto.
Ao tentar acordá-la, o pai percebeu que a menina não respondia. A criança estava deitada de bruços na cama e havia um tubo de desodorante próximo ao corpo. Ela apresentava lábios arroxeados e sinais de inconsciência.
Diante da situação, o pai tentou realizar manobras de reanimação, com respiração boca a boca e massagem cardíaca. Durante as tentativas de socorro, a menina chegou a vomitar, mas não voltou a respirar.
A criança foi levada por familiares até a Unidade de Pronto Atendimento do bairro Universitário, em Campo Grande. Equipes médicas também tentaram reanimá-la, mas a menina não resistiu. O óbito foi constatado por volta das 15 horas.
O caso foi registrado pelas autoridades como morte decorrente de fato atípico. Exames necroscópicos devem apontar a causa oficial da morte.
A suspeita de ligação com o chamado desafio do desodorante reacende o alerta sobre conteúdos perigosos que circulam nas redes sociais. Esses desafios costumam incentivar crianças e adolescentes a realizar práticas de risco em busca de curtidas, visualizações e popularidade na internet.
Entre exemplos conhecidos estão desafios que envolvem inalação de aerossóis, indução ao desmaio, ingestão excessiva de medicamentos ou outras ações potencialmente perigosas. Em alguns casos, esses conteúdos circulam rapidamente e são compartilhados em grupos privados nas redes sociais.
Um dos episódios recentes que chamou atenção internacional foi o chamado desafio do paracetamol, após registros de intoxicação em crianças e adolescentes em outros países.
Levantamento do Instituto DimiCuida aponta que, entre 2014 e 2025, ao menos 61 crianças e adolescentes com idades entre 7 e 18 anos morreram no Brasil após participarem de desafios divulgados na internet. Os dados são compilados a partir de casos divulgados na imprensa e relatos de famílias que procuraram organizações de proteção à infância.
Especialistas alertam que muitos desses desafios continuam circulando mesmo após denúncias e remoções nas plataformas digitais, muitas vezes reaparecendo em novas versões ou com nomes diferentes.
Alguns sinais podem indicar que crianças ou adolescentes estejam expostos a desafios perigosos na internet, como isolamento repentino, irritabilidade frequente, dores de cabeça intensas ou mudanças de comportamento. Embora esses sinais não confirmem a participação nesses desafios, especialistas afirmam que devem servir como alerta para pais, familiares e educadores.
O avanço desse tipo de conteúdo ocorre em um cenário de acesso cada vez mais precoce à internet. Estudos apontam que milhões de crianças e adolescentes brasileiros utilizam redes sociais e plataformas digitais diariamente.
Diante desse cenário, especialistas recomendam que o acesso à internet seja acompanhado por pais ou responsáveis, com diálogo constante sobre segurança digital. O uso de ferramentas de controle parental e a definição de limites para o uso de celulares e redes sociais também são apontados como medidas importantes para reduzir riscos.