A inflação brasileira perdeu ritmo em abril, mas o aumento no preço dos alimentos ainda segue impactando diretamente o orçamento das famílias. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 1,34% no mês, sendo o principal responsável pela elevação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou abril em 0,67%.
Embora o índice tenha desacelerado em comparação a março, quando a inflação foi de 0,88%, os produtos alimentícios continuam entre os itens que mais pesam no bolso do consumidor.
Entre os maiores aumentos registrados no período estão a cenoura, que subiu 26,63%, além do leite longa vida, cebola, tomate e carnes. Frutas e hortaliças também apresentaram forte valorização, refletindo fatores como redução da oferta e aumento dos custos de transporte.
Segundo o levantamento, a alimentação consumida dentro de casa apresentou alta de 1,64%, influenciando diretamente o resultado geral da inflação no mês.
Em contrapartida, alguns produtos registraram queda nos preços e ajudaram a reduzir parte da pressão inflacionária. O café moído ficou 2,30% mais barato em abril, enquanto o frango em pedaços apresentou redução de 2,14%. Itens como maçã, maracujá e banana também tiveram recuo nos valores.
Transporte e produção impactaram preços
Especialistas do IBGE destacam que a elevação nos combustíveis teve influência significativa sobre o custo dos alimentos. O aumento do diesel elevou o preço do frete, afetando principalmente o transporte de produtos agrícolas até mercados e centros de distribuição.
Além disso, a menor oferta de alguns alimentos contribuiu para a alta registrada em produtos como tomate, cebola e cenoura.
Inflação segue dentro da meta nacional
Mesmo com a pressão dos alimentos e do setor de saúde, a inflação acumulada nos últimos 12 meses ficou em 4,39%, permanecendo dentro do limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cuja meta para 2026 é de 3%, com teto de tolerância de 4,5%.
Os grupos que mais influenciaram o IPCA em abril foram Alimentação e Bebidas, seguido por Saúde e Cuidados Pessoais.
O cenário mantém o alerta sobre o custo de vida no país, especialmente para famílias de baixa renda, que sentem com maior intensidade os impactos da alta nos produtos básicos do dia a dia.