O crescimento do uso de motocicletas elétricas por crianças e adolescentes nas ruas de Dourados tem despertado preocupação entre pais, educadores e autoridades. Diariamente, é possível observar menores de idade conduzindo veículos em vias públicas, muitas vezes sem qualquer preparo, equipamentos de segurança ou supervisão adequada.
O debate vai além da mobilidade urbana. Trata-se de uma questão de proteção à vida.
É natural que qualquer proposta de regulamentação gere opiniões divergentes. Muitos podem enxergar uma eventual restrição como limitação da liberdade das famílias ou dos jovens. No entanto, cabe uma reflexão: quando a ausência de regras coloca crianças e adolescentes em risco de acidentes graves ou fatais, qual deve ser a postura do poder público?
Governar também significa tomar decisões difíceis. Nem sempre a medida mais popular é a mais responsável. Ao longo da história, diversas leis que hoje salvam vidas enfrentaram resistência inicial, como a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança, do capacete para motociclistas e da cadeirinha para crianças nos automóveis.
Criar uma legislação municipal que estabeleça critérios para circulação de motos elétricas, definindo idade mínima, locais permitidos e exigências de segurança, não representa uma punição à população. Ao contrário, demonstra compromisso com a preservação da vida e com a prevenção de tragédias que poderiam ser evitadas.
O verdadeiro papel de um vereador ou de um prefeito não é apenas agradar a opinião pública, mas agir com responsabilidade diante dos desafios da sociedade. Se uma lei pode evitar que uma criança seja vítima de um acidente, talvez ela já tenha cumprido seu maior objetivo antes mesmo de entrar em vigor.
A pergunta que fica é simples: vale a pena evitar uma medida por medo das críticas, ou é melhor enfrentar a impopularidade para garantir que mais crianças e adolescentes voltem para casa em segurança todos os dias?
Quando o assunto é vida, a prevenção deve sempre falar mais alto que a conveniência política.