A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (14), mais uma etapa da Operação Compliance Zero e prendeu Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por suposto envolvimento em um esquema de fraudes financeiras associado ao Banco Master.
A prisão ocorreu em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), durante o cumprimento de mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, a operação desta quinta-feira incluiu sete ordens de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Segundo a investigação, os alvos integram uma organização criminosa suspeita de praticar intimidação, monitoramento clandestino, invasão de sistemas eletrônicos e obtenção ilegal de informações sigilosas. A PF também apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional.
De acordo com fontes ligadas à investigação, Henrique Vorcaro teria exercido papel estratégico dentro da estrutura financeira do grupo, sendo apontado como responsável por intermediar pagamentos e demandas direcionadas a núcleos conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos”. As equipes seriam utilizadas, conforme a PF, para ações de vigilância e pressão contra pessoas consideradas obstáculos aos interesses do grupo econômico investigado.
A operação também alcançou integrantes e ex-integrantes da Polícia Federal. Um agente da corporação foi alvo de prisão preventiva, enquanto uma delegada e um policial federal aposentado foram submetidos a mandados de busca e apreensão. A suspeita é de que informações sigilosas tenham sido repassadas aos investigados.
Outro nome citado nas apurações é o de Luiz Phillipi Mourão, apontado como operador do esquema e identificado em mensagens interceptadas com o apelido de “Sicário”. Conforme os investigadores, conversas obtidas durante a apuração indicam a existência de uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e pagamentos periódicos entre os integrantes.
A PF sustenta que parte do grupo teria acessado ilegalmente sistemas restritos de órgãos públicos para monitorar possíveis investigações em andamento. O Ministério Público Federal (MPF) também teria sido alvo de ações atribuídas à organização entre 2024 e 2025.
Daniel Vorcaro permanece preso em Brasília. A Polícia Federal o acusa de liderar um esquema de fraudes financeiras de grande proporção, com prejuízos estimados em até R$ 12 bilhões.
As investigações seguem em andamento sob supervisão do STF.